Era 1990. Pela primeira vez, um beatle pisava em “terrabrasilis”. Fora também o maior público da história de seus shows: 184 mil pessoas lotaram o Maracanã. Voltou em 1993 no Pacaembu. Meu pai, como um bom fã, esteve nesses dois shows. E em 2010, pude realizar meu sonho e acompanhá-lo em sua apresentação no Morumbi. 2011 e foi a vez dos cariocas serem presenteados com sua presença. E sim, pelo terceiro ano consecutivo, nosso querido Sir volta para cantar com os recifenses e os floriopolitanos, mas obviamente, o Brasil todo estará cantando junto. Isso me lembra quando Paul, sempre simpático, disse para o público paulista dois anos atrás: “Eu ia pedir pra vocês cantarem essa junto comigo, mas vocês cantam de qualquer jeito, então... cantem junto!” e mandou Ob-La-Di, Ob-La-Da.
A nova turnê “On The Run”, que começou em junho do ano passado em Nova Iorque, teve seu último show no glamoroso Royal Albert Hall, em Londres. E este foi o setlist (se pretende comparecer à algum show e não quer detalhes, não leia, considere um “spoiler”).
"Magical Mystery Tour"
"Junior'sFarm"
"All My Loving"
"Drive My Car"
"Sing the Changes"
"The Night Before"
"Let Me Roll It" (with "Foxy Lady")
"Paperback Writer"
"The Long and Winding Road"
"Nineteen Hundred and Eighty-Five"
"My Valentine"
"Maybe I'm Amazed"
"I've Just Seen a Face"
"Blackbird"
"HereToday"
"Dance Tonight"
"Eleanor Rigby"
"Something"
"Band on the Run"
"Back in the U.S.S.R."
"I'veGot a Feeling"
"Let it Be"
"HeyJude"
Encore 1
"Day Tripper"
"Get Back" (with Roger Daltrey, Ronnie Wood &Paul Weller)
Encore 2
"Yesterday"
"Golden Slumbers/Carry That Weight/The End"
Dois singles do novo álbum “Kisses on the Bottom” (que traz regravações de clássicos do jazz) chamam a atenção. My Valentine é uma delas. A canção sobre sua nova esposa é realmente muito bonita e traz o violão de Eric Clapton. Além de Only Our Hearts, com a poderosa gaita de Stevie Wonder, fechando o álbum brilhantemente. Dentre as regravações, gostei muito de Home(When Shadows Fall) e More I Cannot Wish You, me lembram Nova Iorque, assim como as músicas de Sinatra. A faixa 10, My Very Good Friend the Milkman, tem um assobio muito fofo que contagia. Bastam poucas reproduções para o ouvinte repeti-lo. É como Dance Tonight, do álbum Memory Almost Full, por sinal, uma das minhas preferidas dos últimos anos, juntamente com Only Mama Knows, do mesmo álbum. Essa última é de uma genialidade que apenas McCartney possui pra compor uma melodia tão surpreendente. A introdução de violinos e a repentina inserção de guitarra é brilhante. Álbuns super recomendados, especialmente o “Kisses...”, para quem é fã de jazz e para quem é fã do Paul e ainda não conhece esse estilo delicioso.
Como sempre, o eterno beatle vai divertir, emocionar e surpreender. E ainda vai fazer muita gente tirar os pés do chão, com aquela banda fantástica, músicos excepcionais. Quando eu o vi em São Paulo, fiquei o show todo em pé na arquibancada, tirei a blusa de frio e já estava até um pouco cansada, mas esse simpático senhor de quase 70 anos não parava de correr de um lado para o outro no palco, conversando com todos, puxando coros e tocando muito! Que venham mais shows de Sir Paul McCartney!
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