quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nostalgia

Ás vezes me pego nostálgica quando assisto algum clipe antigo, algum documentário das minhas bandas favoritas ou ouço alguma música. Muitas vezes, coisas muito mais "velhas" do que eu.
Não sei se mais leitores terão a mesma opinião, mas a música mudou. O mundo musical mudou. A sociedade e as gerações seguintes a era de ouro da música mudaram. É como se a magia tivesse se perdido em meio a melodias horrorosas.

Em outros tempos, o lançamento do disco de uma banda era uma coisa aguardada, comentada, que mobilizava fãs e até curiosos. Orelhas coladas no rádio, corrida a lojas de discos (hoje mal temos lojas de cd's!), recortes de revistas, diversos bolachões enfeitando a sala e os encartes lidos centenas de vezes. Era mais prazeroso ser fã. Hoje a maioria das rádios não toca boa música e a gente fuça o que pode na internet. Não que a internet seja ruim, pelo contrário, mas acho que ouvir aquele puta lançamento no rádio deveria ser mais emocionante. E ver o clipe na tv então? Hoje a gente liga a tv e só vê as mesmas "músicas de balada" tomando conta da programação. Triste.

Digo mais: as gerações passadas tiveram a sorte de ter boa música - muita coisa boa mesmo. Na metade da década de 90, ou até antes disso, a coisa degringolou - pelo menos a [baixos] níveis de Brasil. Foi uma invasão de coisas sem conteúdo, sem sentido, sem qualidade. E os coitados que não tinham ouvido seletivo foram alienados... A cultura perdeu espaço. A educação foi pro ralo. Poderia citar dezenas de fatores, mas nem assim conseguiria explicar o que foi que aconteceu com a sociedade brasileira em termos de música.
Quem se salvou da onda de porcarias que a mídia despejou hoje precisa andar com potentes headphones se não quiser aturar "Ai se eu te pego", "Tchuchu" sei lá o quê, além dos funks horrorosos que ecoam dos carros dos boyzinhos.
Música comercial hoje é porcaria. Rádios seguem a tendência. E a massa vai absorvendo toda a merda - sempre surge algo novo. Ah, se toda novidade fosse de qualidade! Que fosse realmente música e não lixo...

Entrevistei alguns músicos para o programa Vitrola, como Lô Borges, Kiko Zambianchi e Beto Guedes. Acredito que todos compartilham do mesmo pensamento: atualmente falta paixão, conteúdo, musicalidade e criatividade no mundo da música.

Como diz Time Stand Still do Rush:
"Tempo fique parado
Eu não estou olhando para trás
Mas agora eu quero olhar ao meu redor
Tempo fique parado
Ver mais das pessoas
E dos lugares que me cercam agora
Tempo fique parado

Congele esse momento
Um pouco mais
Faça cada sensação
Um pouco mais forte"

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